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Lisa Frank

Ao se dirigir à alta porcentagem de mulheres nativas do Alasca que sofrem agressão sexual, Lisa Frank, da etnia Gwich'in, tem duas recomendações: "Continue contando para as pessoas até que alguém acredite em você e lembre-se de que não é sua culpa, seja qual for a situação."

Vítima de agressão sexual quando jovem, Frank afirma que se tornou defensora das sobreviventes de violência sexual e doméstica principalmente por causa de sua filha. "É algo mais pessoal, ser mãe de uma menina e saber que as estatísticas são tão altas que ela pode ser afetada."

As mulheres nativas do Alasca sofrem as maiores taxas de agressão sexual nos Estados Unidos. Em algumas comunidades isoladas, 100% das mulheres relataram ter sido vítimas de violência doméstica ou sexual em algum momento.

Em seu papel como defensora, Frank ouviu muitas mulheres na faixa dos 40 e 50 anos que dizem ter sofrido algum tipo de abuso, mas não falaram sobre isso. "Disseram a elas para não falarem; que seria mau karma contar que algo lhes aconteceu. Muitas me disseram que não acreditaram nelas, nem mesmo quando crianças. Acho que a situação é a mesma hoje, mas, aos poucos, as pessoas estão começando a falar mais sobre isso e a tentar encontrar soluções para o problema."

As vítimas de agressão enfrentam um problema singular no Alasca devido ao isolamento rural. Muitas aldeias são acessíveis apenas por pequenos aviões, e mais da metade das comunidades remotas do Alasca não têm policiais. Em sua aldeia, as vítimas precisariam ligar para a polícia estadual, que poderia demorar dias para responder. “Para muitas mulheres que vivem em comunidades rurais, é mais fácil esquecer do que buscar justiça”, diz Frank. “Seu agressor anda livremente entre elas, em sua própria comunidade. É como se nada tivesse acontecido.”

Outro problema para as vítimas é a falta de kits para coleta de evidências de estupro, que são essenciais para uma condenação. Mesmo quando as comunidades têm acesso a esses kits, Frank acredita que muitas enfermeiras e agentes comunitárias não são treinadas ou não sabem como usá-los. “Elas não são certificadas”, acrescenta.

Frank se considera “sortuda” porque seu ataque ocorreu no interior do estado. “Não preciso me preocupar em ver o agressor passar por mim. Não preciso agir como se nada tivesse acontecido. O que realmente me curou foi voltar para minha terra, simplesmente me reconectar com a natureza e viver entre meu povo, praticando minhas atividades culturais.”

Frank observa que seus ancestrais nômades (os Gwich'in são conhecidos como o "Povo Caribu" devido à sua dependência histórica dessa espécie migratória) se fortaleceram em seus esforços diários para sobreviver. "Essa força corre no meu sangue. Tenho orgulho disso. Esta terra tem poderes curativos, especialmente com o caribu. É como alimento para a alma."


Lisa Frank , da etnia Gwich'in do Alasca, encontra força em sua cultura nativa para defender mulheres vítimas de agressão sexual e violência doméstica. Agredida anos antes, quando era estudante universitária, ela agora trabalha para garantir a segurança de mulheres nativas, incluindo sua própria filha, no Alasca, onde uma mulher nativa é agredida a cada 18 horas.


 

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