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Tribos buscam novo status nas Nações Unidas

(Nova Iorque, NY) — Líderes indígenas dos Estados Unidos e do mundo reuniram-se em Nova Iorque, nos dias 14 e 15 de dezembro de 2016, para participar de uma consulta com a Assembleia Geral das Nações Unidas sobre como fortalecer a participação dos governos indígenas na ONU. Os líderes tribais pressionam para que a ONU reconheça formalmente o caráter distinto dos povos e governos indígenas por meio da criação de um novo status apropriado na ONU, que lhes permita participar plenamente de todas as reuniões. As instituições governamentais indígenas não são atualmente reconhecidas como governos pelo sistema das Nações Unidas.

“Este processo visa criar um espaço para os governos indígenas na ONU”, disse Terri Henry, Secretária de Estado da Tribo Cherokee do Leste e presidente do conselho do Centro de Recursos Jurídicos Indígenas. “As instituições governamentais indígenas devem ter a oportunidade de apresentar documentos e propostas, fazer declarações e participar das atividades das Nações Unidas de forma permanente. Devemos ter prioridade sobre as organizações não governamentais em relação a assentos e participação.”

Este processo de consulta é uma resposta às decisões tomadas na Conferência Mundial sobre Povos Indígenas, que visavam considerar “formas de viabilizar a participação de representantes e instituições de povos indígenas em reuniões de órgãos relevantes das Nações Unidas sobre questões que os afetam”.
 
Nenhum dos processos ou mecanismos de participação existentes reconhece a natureza política e jurídica distinta das instituições governamentais indígenas, segundo Karla General, advogada do Centro de Recursos Jurídicos Indígenas.

“Sem um convite especial, as instituições governamentais indígenas não podem participar de reuniões das Nações Unidas”, afirmou General. “Elas sequer podem comparecer e observar as sessões do Conselho de Direitos Humanos ou da Terceira Comissão da Assembleia Geral, que adotam resoluções anuais sobre os direitos dos povos indígenas.”

“É uma alta prioridade para os governos indígenas que seus representantes eleitos participem desses fóruns e contribuam para o registro histórico por meio dessa participação ampliada”, disse Will Micklin, 2º Vice-Presidente do Conselho Central das Tribos Indígenas Tlingit e Haida do Alasca.

Representantes de diversas nações indígenas e nativas do Alasca, bem como de países membros da ONU, participaram da consulta para trocar opiniões sobre o desenvolvimento de um novo status para os governos indígenas, incluindo um novo órgão da ONU para credenciar instituições governamentais indígenas. Os participantes da consulta também responderam a perguntas sobre o processo de credenciamento para governos indígenas e quais direitos substantivos de participação eles teriam.

A consulta de dezembro foi a primeira de quatro consultas convocadas pelo Presidente da Assembleia Geral. A segunda e a terceira consultas estão agendadas para 30 de janeiro a 1º de fevereiro de 2017 e 27 a 28 de fevereiro de 2017, respectivamente. A quarta consulta ocorrerá entre 24 de abril e 5 de maio, embora as datas específicas ainda não tenham sido definidas. O presidente anterior convocou consultas no início de 2016 e elaborou um documento com elementos para orientar esta rodada final de consultas. Espera-se que a Assembleia Geral da ONU tome uma decisão sobre o assunto antes do término de sua sessão atual, em setembro de 2017.

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