28 de julho de 2022 -- A Assembleia Geral das Nações Unidas deu um passo histórico e inovador, declarando que todos neste planeta têm o direito a um ambiente saudável.
A Assembleia Geral adotou a Resolução A/76/L.75 , reconhecendo o direito a um ambiente limpo, saudável e sustentável como um direito humano. "Esta resolução envia uma mensagem de que ninguém pode nos tirar a natureza, o ar e a água limpos, ou um clima estável – pelo menos não por meio de uma luta", observou Inger Anderson, Diretora Executiva do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).
A ação da Assembleia Geral segue a adoção da Resolução 48/13 pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, em 8 de outubro de 2021, que reconhece explicitamente que um ambiente limpo, saudável e sustentável é um direito humano e solicita que a Assembleia Geral considere o assunto. Atualmente, cerca de 150 países já reconhecem o direito a um ambiente saudável por meio de suas leis nacionais (constituições, legislação ou políticas) ou pela ratificação de instrumentos internacionais.
Tanto o Conselho de Direitos Humanos da ONU quanto agora a Assembleia Geral reconhecem que as pessoas que quase certamente menos contribuem para a degradação ambiental são, muitas vezes, as que correm maior risco de sofrer os piores impactos sobre os direitos humanos.
A Resolução da Assembleia Geral reconhece que:
“Embora as implicações dos danos ambientais para os direitos humanos sejam sentidas por indivíduos e comunidades em todo o mundo, as consequências são sentidas com mais intensidade por mulheres e meninas e pelos segmentos da população que já se encontram em situações de vulnerabilidade, incluindo povos indígenas, crianças, idosos e pessoas com deficiência.”
De forma significativa, a Resolução da Assembleia Geral também reconhece que os danos ambientais têm terríveis implicações negativas diretas e indiretas “para o gozo efetivo de todos os direitos humanos”. Reconhece especificamente que “a degradação ambiental, as alterações climáticas, a perda de biodiversidade, a desertificação e o desenvolvimento insustentável constituem algumas das ameaças mais prementes e graves à capacidade das gerações presentes e futuras de gozarem efetivamente de todos os direitos humanos”
Embora as resoluções da Assembleia Geral da ONU não sejam juridicamente vinculativas, espera-se que esta ação forneça um apoio forte e urgentemente necessário aos povos indígenas, à sociedade civil e a outros para pressionarem seus governos a adotarem medidas climáticas muito mais agressivas — quanto antes, melhor. David Boyd, Relator Especial da ONU para os Direitos Humanos e o Meio Ambiente, afirmou antes da votação que “[e]ssas resoluções podem parecer abstratas, mas são um catalisador para a ação e capacitam as pessoas comuns a responsabilizarem seus governos de uma forma muito poderosa”.
Para mais informações:
A/76/L.75
Publicado em: 27 de julho de 2022, 19h55 (horário do leste dos EUA)
O DIREITO HUMANO A UM AMBIENTE LIMPO, SAUDÁVEL E SUSTENTÁVEL: PROJETO DE RESOLUÇÃO
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