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O Quinto Circuito defende veementemente a Lei de Bem-Estar Infantil da Índia

Na sexta-feira, o Tribunal de Apelações do Quinto Circuito, no caso Brackeen v. Bernhardt, confirmou a constitucionalidade da Lei de Bem-Estar Infantil Indígena de 1978 e a validade das normas federais de implementação. Essa decisão representa uma grande vitória para as tribos indígenas e para todos aqueles que lutaram para proteger a lei. Em consonância com a longa jurisprudência da Suprema Corte dos EUA, a decisão aplica e reafirma importantes princípios jurídicos, como o de que as tribos são entidades políticas e governamentais, e não simplesmente grupos raciais, e que o Congresso tem autoridade constitucional para legislar em relação às tribos, particularmente para promover a autogovernança tribal. O Tribunal do Circuito observou que interpretar a lei como relacionada à autogovernança tribal e até mesmo à sobrevivência tribal faz sentido, considerando a constatação explícita do Congresso de que as crianças indígenas são o recurso mais vital “para a existência e integridade contínuas das tribos indígenas”.

O Quinto Circuito reverteu a decisão do Tribunal Distrital em todos os fundamentos utilizados para declarar a Lei de Bem-Estar Infantil Indígena (ICWA) inconstitucional. A lei não apenas não constitui uma classificação racial inadmissível que violaria o princípio da igualdade perante a lei, como também não viola os direitos dos estados garantidos pela Décima Emenda, pois não obriga os estados a tomar medidas, e, por fim, não delega inconstitucionalmente poder aos governos tribais para legislar.

A decisão baseia-se numa análise cuidadosa das conclusões do Congresso sobre os abusos prevalentes nos processos estaduais relativos à custódia de crianças indígenas e sobre a necessidade de proteger o melhor interesse das crianças indígenas, bem como a segurança das tribos e famílias indígenas. Há mais de quatro décadas, essas conclusões constituíram a base e a justificativa para a Lei. O painel do Tribunal de Apelações também deu especial atenção e peso à natureza das tribos como entidades governamentais e políticas com uma relação especial com os Estados Unidos, e às variadas e complexas leis de filiação das tribos – que não são estritamente raciais. 

A decisão será útil para chamar a atenção para os fatos e as razões políticas que justificam a Lei de Bem-Estar Infantil Indígena (Indian Child Welfare Act), bem como para a história e os fatos subjacentes ao princípio jurídico de que as tribos não são grupos raciais, mas sim entidades políticas e governamentais com uma relação constitucional especial com os Estados Unidos.

Parabéns às tribos que participaram e a todos que lutaram por esta vitória!

Decisão publicada pelo Tribunal de Apelações do Quinto Circuito no caso Brackeen v. Bernhardt