Intensificação das ações para fortalecer a segurança territorial, em estreita consonância com o alcance das metas de conservação ambiental e combate às mudanças climáticas
Líderes indígenas, representantes governamentais e especialistas jurídicos se reúnem em Brasília nos dias 7 e 8 de abril para apresentar avanços concretos na titulação de terras indígenas no Brasil, Peru, Guatemala e Argentina, diante dos contínuos desafios históricos e políticos. Esforços recentes nesses quatro países resultaram na legalização de quase 1,5 milhão de hectares de terras indígenas.
Organizada pelo Centro de Recursos de Direito Indígena (ILRC), a conferência abordará a questão premente da segurança territorial das terras indígenas na América do Sul e Central, juntamente com o México, como pilar da justiça social e da preservação ambiental. Esta iniciativa faz parte da Iniciativa Terras Indígenas (Projeto ILI) , um projeto realizado pelo ILRC em parceria com a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) e a Associação Interétnica para o Desenvolvimento da Amazônia Peruana (AIDESEP).
O Projeto ILI está navegando por estruturas legais complexas e em constante mudança para garantir títulos de propriedade de terras em quatro países, com planos de expansão para outros. Os povos indígenas estão liderando o processo, atuando na linha de frente como técnicos, advogados, defensores e ativistas territoriais.
Direitos territoriais indígenas como uma solução climática em grande parte inexplorada
Inúmeras pesquisas demonstram que os povos indígenas são protetores do planeta; sua gestão da terra está ligada à melhoria da biodiversidade, à redução do desmatamento e à prevenção das mudanças climáticas. Ainda neste mês, uma nova avaliação apresentou oito recomendações para que os governos promovam a proteção florestal. Uma delas é a garantia dos direitos territoriais indígenas.
No entanto, muitas comunidades indígenas no México, na América Central e na América do Sul não possuem direitos coletivos de posse de terras seguros, o que as torna mais vulneráveis a invasões ilegais, exploração madeireira, mineração, tráfico de drogas e atividades comerciais destrutivas.
O registro de terras oferece um método acessível para os países demonstrarem seu compromisso e ação em relação às metas climáticas, especialmente com iniciativas de financiamento climático como o Fundo para Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), que será lançado na COP30. No entanto, de acordo com pesquisas, muitos países estão apenas cumprindo formalidades e não dando seguimento aos seus compromissos.
Apesar das inúmeras evidências do papel dos povos indígenas na proteção da Amazônia e de outros biomas importantes — ressaltando que eles fazem parte da solução, e não do problema —, os povos indígenas continuam sob ameaça de invasores de terras.
Ação mobilizada para garantir direitos de posse de quase 1,5 milhão de hectares de terras
O Centro de Recursos de Direito Indígena (ILRC), em parceria com a Associação Interétnica para o Desenvolvimento da Amazônia Peruana (AIDESEP) e a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), lidera o Projeto Iniciativa de Terras Indígenas (Projeto ILI).
O Projeto ILI trabalha para garantir a titularidade de terras em quatro países, navegando por estruturas legais complexas e em constante mudança para aumentar a titulação de terras. Os povos indígenas estão liderando o processo, atuando na linha de frente como técnicos, advogados, defensores e defensores da terra.
Embora o projeto se expanda nos próximos anos, a Iniciativa de Terras Indígenas (Projeto ILI) está atualmente focada em projetos-piloto em quatro países: Peru, Brasil, Argentina e Guatemala.
PERU:
O Peru é um exemplo notável de ação bem-sucedida em matéria de titulação de terras. O trabalho de titulação de terras no âmbito do Projeto ILI foi iniciado na Amazônia peruana em maio de 2023. Nos dois primeiros anos do projeto, em parceria com a AIDESEP, uma organização indígena regional que representa a Amazônia peruana, o Projeto ILI auxiliou 36 comunidades indígenas em seus processos de titulação de terras. Essas comunidades abrangem mais de 300.000 hectares da Amazônia peruana.
BRASIL:
O Projeto ILI no Brasil tem se mostrado particularmente complexo porque os povos indígenas da região foram expulsos de seus territórios ancestrais devido a ameaças de garimpeiros ilegais, madeireiros e grileiros. Em colaboração com a COIAB, o Projeto ILI concentra-se tanto em ajudar as comunidades a obterem segurança jurídica sobre suas terras quanto na reconstrução das comunidades indígenas. A equipe do ILRC está capacitando advogados no Brasil para que possam entrar com ações judiciais visando contestar e aprimorar leis e políticas que restringem ou impedem os direitos de propriedade territorial dos povos indígenas. Membros das comunidades também estão sendo treinados no uso de drones para monitorar as vastas extensões de terra dentro de seus territórios. No âmbito do Projeto ILI, quase um milhão de hectares da Amazônia brasileira estão sendo titulados em nome dos povos indígenas.
ARGENTINA:
Na Argentina, o Projeto ILI concentra-se em ajudar a Rede Atacama (uma rede de onze comunidades indígenas do Atacama) a solicitar um título único e coletivo para suas terras. Essas comunidades habitam mais de 159.000 hectares de terra no “triângulo do lítio”, uma área transfronteiriça entre Argentina, Bolívia e Chile, que constitui a maior reserva de lítio do mundo. As empresas de mineração exercem enorme pressão para obter acesso irrestrito aos depósitos de lítio em terras do Atacama.
A equipe do ILI está capacitando líderes comunitários em cartografia, georreferenciamento, elaboração de mapas e coleta de dados em campo para que possam liderar o trabalho de defesa de seus próprios direitos territoriais. O resultado final será um mapa dos territórios do Atacama, que será utilizado em juízo para defender os direitos coletivos à terra do povo do Atacama.
GUATEMALA:
Na Guatemala, o Projeto ILI tem se concentrado principalmente em reformas legais e políticas para tornar a titulação coletiva de terras acessível a mais de seis milhões de indígenas guatemaltecos. O advogado sênior do ILRC, Leo Crippa, defendeu o caso histórico “Comunidade Indígena Maya Ǫ'eqchi' Agua Caliente vs. Guatemala” perante a Corte Interamericana de Direitos Humanos. A Corte decidiu a favor dos argumentos de Crippa, ordenando que o Estado adote leis que reconheçam o direito à propriedade coletiva dos povos indígenas sobre suas terras. Agora, o Centro de Recursos de Direito Indígena (ILRC) está focado na implementação contínua da decisão da Corte.