Projeto

Bancos Multilaterais de Desenvolvimento

Os bancos multilaterais de desenvolvimento (BMDs) e alguns bancos nacionais de desenvolvimento desempenham um papel central na aprovação de projetos de desenvolvimento em larga escala, como barragens e iniciativas florestais, que têm tido efeitos devastadores sobre os povos indígenas e outras comunidades locais.
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Caso Oaxaca

Desde 2012, o Centro tem ajudado sete comunidades indígenas em Oaxaca, México, a contestar a construção de um projeto de energia renovável financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O Projeto de Energia Eólica Mareña Renovables, que estava prestes a se tornar o maior parque eólico da América Latina e o primeiro em proximidade com o oceano, seria construído em terras coletivas das comunidades.

Em dezembro de 2012, apresentamos uma denúncia em nome delas ao Mecanismo Independente de Consulta e Investigação (MICI), o mecanismo interno do Banco para reclamações sobre projetos. A denúncia solicitava que o MICI buscasse um diálogo entre a empresa de energia eólica e as comunidades e avaliasse o descumprimento das políticas do Banco, especialmente a Política Operacional sobre Povos Indígenas.

O parque eólico seria construído em Santa Teresa, um banco de areia do qual essas comunidades dependem para a pesca e a prática de cerimônias tradicionais. Toda a infraestrutura do projeto, incluindo estradas, subestações, turbinas e linhas de transmissão, seria construída em terras das comunidades.

Marcos importantes foram alcançados nos últimos anos. Em 2013, a empresa decidiu não prosseguir com o projeto na área onde ele teria impacto negativo sobre as sete comunidades. Nesse mesmo ano, o ICIM decidiu investigar o projeto a fundo e avaliar a conformidade com as políticas aplicáveis ​​do Banco. Em setembro de 2016, o ICIM concluiu o relatório de revisão de conformidade, concluindo que a Administração do Banco não cumpriu as políticas operacionais do Banco, incluindo aquelas relativas ao acesso à informação, à conformidade com as salvaguardas e aos povos indígenas. Não foi possível estabelecer diálogo com a empresa, pois esta se recusou a dialogar com as comunidades.

O Conselho de Administração do Banco endossou integralmente as conclusões e recomendações do relatório. Embora algumas recomendações sejam específicas para o projeto, outras visam aprimorar a estrutura de políticas do Banco. Por exemplo, o relatório solicita que a Administração torne públicos todos os documentos do projeto que não foram divulgados, apesar de sua divulgação ser obrigatória. Também solicita que a Administração comunique às comunidades o status do projeto, que foi encerrado. Por fim, o relatório solicita à Administração que revise e atualize a política operacional relativa aos povos indígenas e que desenvolva um guia sobre como o Banco deve operar na presença de conflitos sociais significativos.

Embora estejamos extremamente satisfeitos com o resultado geral deste trabalho até o momento, ele ainda não terminou. Será concluído quando todas as recomendações do ICIM forem totalmente implementadas. O Conselho de Diretores Executivos do Banco não apenas solicitou à Administração que elaborasse um plano de ação sobre como implementará as recomendações, mas também pediu que o ICIM participasse do processo. Participaremos desse processo e tomaremos as medidas que considerarmos necessárias para alcançar a plena implementação, especialmente aquelas voltadas para a restauração das relações com as comunidades e para o aprimoramento do arcabouço político relativo aos povos indígenas e às questões sociais.

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